Linhas de Pesquisa

 

Linhas de pesquisa desenvolvidas pelo Centro Interunidades:

Os pesquisadores do CEVAP estão compromissados principalmente em seis linhas de pesquisa elencadas a seguir. Todas estas também fazem parte do Programa de Pós-graduação em Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP (CAPES conceito 5), ao qual os dois Pesquisadores lotados no CEVAP estão devidamente cadastrados. Este Programa contempla em seu corpo de doutrina a área de concentração dedicada a Toxinologia (ciência que estuda as toxinas de microrganismos, plantas e animais) e mantém parceria com o CEVAP onde os nossos pesquisadores orientam seus alunos de Pós-graduação. Neste contexto, as pesquisas no âmbito dos animais peçonhentos, toxinas, produtos e derivados são desenvolvidas no Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da UNESP – CEVAP, localizado na Fazenda Experimental Lageado Campus de Botucatu, na Faculdade de Medicina, em outras Unidades da UNESP e em Centros de pesquisa nacionais e internacionais participantes do projeto. Deve ser salientado que os acidentes com animais peçonhentos são a décima quinta doença negligenciada catalogada pela Organização Mundial da Saúde. As linhas de pesquisa do CEVAP são as seguintes:

1-Emprego de isótopos estáveis (Carbono-13 e Nitrogênio-15) e instáveis (Cobalto-60) em Toxinologia. Esta linha de pesquisa tem por um dos objetivos utilizar os isótopos estáveis de Carbono-13 e Nitrogênio-15 para se avaliar o histórico alimentar dos animais peçonhentos, em especial das serpentes venenosas e não venenosas, além de se poder estudar o metabolismo protéico destes animais e de sua cadeia alimentar na natureza. Além disso, auxiliam na rastreabilidade alimentar de animais de grande porte utilizados na produção de insumos tais como soros heterólogos, selantes e demais subprodutos. Por outro lado, empregamos também os isótopos instáveis, entre eles o Cobalto-60, com o propósito de diminuir a toxicidade dos venenos e imunizar animais soro produtores com menor sofrimento proporcionando assim novas alternativas de produção de antivenenos para uso humano e animal. Para tanto, mantemos no primeiro caso parceria com o Centro de Isótopos Estáveis Ambientes da UNESP e no segundo com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN-CNEN) da Universidade de São Paulo.

2-Manejo clínico-sanitário, criação e controle microbiológico de serpentes visando a produção de insumos com qualidade para fornecimento à pesquisa básica e aplicada. As agências mundiais de fomento à pesquisa estão a cada dia aprimorando os financiamentos e exigindo certificação de qualidade dos insumos a serem fornecidos e estudados pelos pesquisadores. Assim, o Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da UNESP – CEVAP tem por um dos seus objetivos receber por doação, manter e criar animais peçonhentos em cativeiro, entre eles serpentes venenosas, para produção de venenos e derivados com qualidade adequados para pesquisa clínica e experimental. Para tanto, o CEVAP é cadastrado junto ao IBAMA como Criadouro Científico da Fauna Silvestre – IBAMA – 1/35/92/0044-1, cujo Número do Processo é 02001.005670/90-77. Esta linha de pesquisa tem por objetivos receber, manejar, criar e proporcionar o devido controle microbiológico (vírus, bactérias, fungos, protozoários e demais parasitas) dos animais e dos insumos produzidos e fornecidos aos pesquisadores da UNESP e de Instituições parceiras de pesquisa.

3-Bioprospecção e emprego clínico-experimental de moléculas de fibrinogênio e trombina símile, provenientes de animais ou vegetais com vistas ao aprimoramento do selante de fibrina. Esta linha de pesquisa existente há mais de 20 anos no Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da UNESP – CEVAP produz, estuda e busca alternativas para o selante de fibrina derivado de veneno de serpente. Para tanto, temos estudado animais alternativos para fornecimento de moléculas de fibrinogênio e experimentado diversos tipos de toxinas para substituir a molécula de trombina. É sabido que os adesivos biológicos, também conhecidos como selantes, têm sido pesquisados desde 1940. Isto porque o fio de sutura utilizado em cirurgia mostra-se sempre como um corpo estranho ao organismo receptor. O desenvolvimento destes adesivos é sempre atual e continua, especialmente a partir de 1986 quando a AIDS apareceu como uma doença nova e transmitida pelo sangue humano. Isto porque até então se extraía a fração de fibrinogênio utilizada nos selantes a partir do sangue humano. Houve necessidade de se buscar uma alternativa para tal. Assim, a pesquisa de novas serinoproteases derivadas de veneno de serpentes com vistas a um maior rendimento na atividade do selante de fibrina, bem como tentar clonar em laboratório as moléculas de interesse é nosso objetivo final. Além disso, busca-se uma alternativa para a molécula de fibrinogênio, ou seja, sua liofilização, cristalização e clonagem in vitro. Para tanto, devemos buscar técnicas aprimoradas para se propor a estrutura atômica espacial dos dois componentes do selante a fim de que sua síntese em laboratório seja possível num futuro próximo.

4-Bioprospecção de insumos minerais, animais e vegetais com vistas a melhoria da produção de soro heterólogo em animais alternativos. Esta linha de pesquisa busca a padronização de novos adjuvantes provenientes de nano compostos, além da utilização de novos animais como soro produtores. Seu objetivo é propor um produto eficaz e eficiente, que apresente um baixo custo, frente aos soros heterólogos disponíveis atualmente no mercado nacional e internacional. O soro heterólogo produzido com o objetivo de tratar acidentes com animais peçonhentos, ainda é um problema de saúde pública especialmente nos países africanos, asiáticos e em regiões de difícil acesso, tais como a Amazônia brasileira. O estudo de novas formas de produção, novas alternativas de embalagem e distribuição, faz parte desta linha de pesquisa.

5-Estudo clínico-epidemiológico dos acidentes causados por animais peçonhentos. Os acidentes ofídicos sempre foram um problema de Saúde Pública para os países tropicais. A revisão sobre a epidemiologia destes acidentes no Brasil, nos últimos 100 anos, revelou que o perfil epidemiológico praticamente se manteve inalterado, isto é, são mais comuns em indivíduos do sexo masculino, em trabalhadores rurais, na faixa etária entre 15 e 49 anos, atingem principalmente os membros inferiores e a maioria desses acidentes é atribuída às serpentes do gênero Bothrops. A análise longitudinal das notificações dos acidentes ofídicos entre 1987 e 2008 realizadas pela Secretaria de Vigilância em Saúde, mostra que ocorreram entre 25 e 30.000 acidentes ofídicos por ano. As análises epidemiológicas regionais, avaliadas por diversos autores, revelaram que os acidentes causados por serpentes Crotalus durissus terrificus está aumentando proporcionalmente em diversas regiões do Estado de São Paulo. Estudos recentes realizados concomitantemente nos Estados de São Paulo e Paraná mostraram que houve queda de até 88% dos acidentes botrópicos. Estas observações estariam relacionadas com as alterações ambientais? As serpentes Crotalus durissus terrificus teriam adquirido novos comportamentos que as fariam sobreviver melhor frente às alterações ambientais causadas pelos seres humanos? Os acidentes com serpentes estariam diminuindo em determinadas regiões do Brasil?

6-Caracterização bioquímica, farmacológica e enzimática de toxinas animais e vegetais. As agências mundiais de fomento à pesquisa, bem como os editores de periódicos científicos estão cada vez mais exigindo que os pesquisadores de maneira geral utilizem toxinas com a devida certificação de qualidade e procedência. Isto tem exigido maior conhecimento e qualidade desta matéria-prima que é a base de inúmeros estudos desenvolvidos na Toxinologia. Neste contexto, o Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da UNESP – CEVAP tem por um dos seus objetivos fins o estudo bioquímico, farmacológico e enzimático das toxinas animais e vegetais, seus produtos e derivados, para que estas tenham qualidade adequada quando empregadas em pesquisas clínica e experimental. Para alcançar estes objetivos, técnicas sofisticadas tais como, cromatografia liquida, eletroforese bidimensional, digestão enzimática, espectrometria de massas e ferramentas de bioinformática proteômica são utilizadas como parte da estratégia para se obter maior compreensão dos mecanismos de ação dessas toxinas, além de auxiliar no desenvolvimento de testes diagnósticos para doenças e/ou desenvolver produtos biotecnológicos com potencial emprego na saúde pública.