Projeto da Unesp quer desenvolver kit para acidentes com cobras

 

 

Pesquisadores do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP) da Unesp, localizado no campus de Botucatu, foram contemplados em chamada da Fapesp divulgada no início do mês de março. A equipe irá desenvolver, com o apoio do programa PIPE-FAPESP, um kit de diagnóstico rápido capaz de identificar o gênero da serpente responsável pelo acidente ofídico a partir de uma amostra retirada do local da picada deixada na vítima.

Aplicar o soro antiofídico especifico para cada gênero de serpente, dentro do intervalo de tempo adequado e na dosagem ideal é fundamental no atendimento de acidentes ofídicos. O projeto foi aprovado em chamada do programa PIPE-FAPESP, que apóia a execução de pesquisas de ordem tecnológica ou cientifica em micro, pequenas e medias empresas do estados de São Paulo.

“O desenvolvimento de um dispositivo de teste rápido para identificar qual a serpente que acidentou os pacientes certamente resultaria em tratamentos precoces e mais específicos, reduzindo sequelas e mortes de pacientes, além de diminuir gastos por parte das unidades de saúde com internações, cirurgias e desperdício de soros antiofídicos”, destaca a doutoranda Laudicéia Alves de Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu.

Na submissão da proposta, a pesquisadora apontou que entre 2001 e 2014 foram registrados aproximadamente 1,5 milhão de acidentes por serpentes em território brasileiro que provocaram, anualmente, 125 óbitos e deixaram 900 vítimas com seqüelas.

A motivação para a submissão do projeto foi que, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos e Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, 80% casos a equipe médica não registrou nos prontuários dos pacientes ou não soube identificar o gênero da serpente que provocou o acidente.

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Jararaca-da-Mata, cobra do gênero Bothrops, uma das
responsáveis pelos acidentes ofídicos no país (Crédito: Wikipedia)

Lucilene Delazari dos Santos, pesquisadora do CEVAP, lembra que, atualmente, o que se sabe sobre a picada no momento em que o paciente chega ao hospital reside principalmente na experiência da equipe médica tendo em vista as reações do organismo da vítima ou na própria captura e identificação correta do animal no momento do acidente.

“Um dispositivo que, com uma amostra de sangue, seja capaz de dizer dentro de um intervalo de um minuto qual o gênero da serpente responsável pela picada poderia preencher essa lacuna na identificação”, aponta Lucilene, lembrando que dispositivos como este já existem para diagnostico de hepatite, dengue e outras doenças. O Brasil possui quatro gêneros de serpentes peçonhentas.

O primeiro desafio da equipe estabelecida com o apoio da empresa Triad for Life, de Botucatu, neste momento é escolher as moléculas adequadas para realização do diagnostico rápido para, posteriormente, desenvolver o dispositivo.