Descoberta de coral-verdadeira é reconhecida internacionalmente

O grupo das cobras corais-verdadeiras cresceu e as descobertas de biólogos brasileiros ganham destaques internacionais, como a pesquisa dos biólogos Paulo Bernarde e Luiz Carlos Turci, em parceria com Arthur Abegg e Francisco Luis Franco.

Responsável por coletar em 2001 o primeiro exemplar de Micrurus boicora, uma nova espécie de coral-verdadeira, Paulo faz parte da descoberta, junto a outros especialistas, que agora foi descrita em uma revista científica alemã.

“Com pesquisas como essa temos o aumento do conhecimento sobre a diversidade de serpentes no Brasil. Podemos ter muitas espécies ainda não descritas ou catalogadas pela ciência, que podem estar desaparecendo antes mesmo de serem descobertas”, diz o biólogo, que evidencia a importância dos estudos. “Temos mais uma espécie de serpente de interesse médico no país, apesar de que os acidentes ofídicos com corais sejam relativamente raros”, destaca.

Vista ventral da nova espécie de coral-verdadeira, Micrurus boicora — Foto: Luiz Carlos Turci

Vista ventral da nova espécie de coral-verdadeira, Micrurus boicora — Foto: Luiz Carlos Turci

A preocupação com os acidentes se deve ao colorido da nova espécie, cujo padrão foge do comum “coralino”, com a presença de anéis coloridos, demonstrando assim que os “macetes populares” utilizados para diferenciar as corais verdadeiras das falsas não devem ser utilizados.

“Recomenda-se que apenas especialistas manuseiem esses animais, sabendo reconhecê-los e capturá-los da forma correta”

A DESCOBERTA

Batizada de Micrurus boicora, referência ao nome indígena tupi-guarani que significa cobras corais, a espécie descoberta é uma cobra-coral verdadeira.

Pouco se sabe sobre a biologia e a composição do veneno, mas estudos apontam que pequenas cobras e lagartos façam parte da dieta da espécie. “Acreditamos também que o veneno tenha ação neurotóxica, assim como outras espécies próximas do gênero”, explica Paulo.

De acordo com o biólogo, a ausência de anéis coloridos amarelos ou alaranjados ajudou a diferenciar a nova espécie das demais, mas a identificação entre as cobras-corais nem sempre é fácil.

A coral-verdadeira Micrurus lemniscatus, espécie com padrão colorido típico das corais  — Foto: Paulo Bernarde

A coral-verdadeira Micrurus lemniscatus, espécie com padrão colorido típico das corais — Foto: Paulo Bernarde

“Algumas espécies apresentam características bem evidentes, o que facilita a sua diagnose, diferenciando-as das demais. Outras, no entanto, possuem diferenças sutis, o que dificulta e até demanda ferramentas adicionais para o processo de descrição, como estudos moleculares”, explica o biólogo, que se atentou às “pegadinhas” durante a descoberta.

“Quando fui apanhar o primeiro exemplar pensei que não se tratava de uma coral-verdadeira, devido ao padrão de colorido que difere muito das demais dorsalmente. Entretanto, ao se sentir ameaçado, o espécime realizou um comportamento defensivo de enrodilhar a cauda, comportamento de defesa ente as cobras corais”, conta.

A coral-verdadeira Micrurus albicinctus, espécie amazônica que não apresenta o padrão coralino típico — Foto: Luiz Carlos Turci

A coral-verdadeira Micrurus albicinctus, espécie amazônica que não apresenta o padrão coralino típico — Foto: Luiz Carlos Turci

ANOS DE ESTUDO

Capturado o primeiro espécime em 2001, os estudos sobre a nova cobra-coral continuaram por mais de dez anos. “Começamos a trabalhar na descrição em 2009, quando contamos com a colaboração de outros pesquisadores que doaram espécimes. Reunimos oito exemplares emprestados de corais-verdadeiras para a pesquisa”, explica Paulo, que trabalhou em parceria com Luiz Carlos Batista, Arthur Diesel Abegg e Fancisco Luís Franco.

“É uma grande emoção e prazer fazer ciência, ainda mais participando assim na descrição de uma nova espécie”

Primeiro exemplar de Micrurus boicora no momento de sua captura, em 2001 — Foto: Paulo Bernarde

Primeiro exemplar de Micrurus boicora no momento de sua captura, em 2001 — Foto: Paulo Bernarde

Fonte da Notícia: g1.globo.com

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