Veneno de cascavel com sangue de búfalo viram adesivo biocurativo

Segundo Rui Seabra F. Júnior, diretor-geral do Cevap – Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos, da Unesp – Universidade Estadual Paulista de Botucatu (SP), o veneno de cascavel com sangue de búfalo gerou um potente cicatrizante, para as pessoas com úlceras crônicas nas pernas e nos pés. Trata-se do selante de fibrina, uma espécie de adesivo cirúrgico biocurativo, que simula o princípio natural da coagulação do sangue. O produto é 100% nacional, o que o torna acessível à população mais carente, dependente do sistema público de saúde.

O professor do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Unesp, Benedito Barravieira, participa do projeto desde 1989 (quando iniciaram as pesquisas) e está bastante confiante quanto à chegada do selante de fibrina ao mercado. Ele afirma que a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária concedeu a autorização para o produto – o adesivo já foi testado em 25 pacientes, com efeitos surpreendentes.

Além de ser um excelente adesivo cirúrgico, o selante de fibrina – obtido da enzima do veneno de serpentes (cascavel) e do fibrinogênio extraído de sangue búfalos, pode ser efetivamente utilizado em colagem de pele, de nervos e cirurgias de gengivas. É importante destacar que no mercado, há outros selantes eficientes, mas o fibrinogênio de sua composição vem do sangue humano, ou seja, pode facilmente ser contaminado com vírus ou outras doenças infecciosas.

Já o fibrinogênio do sangue de bubalinos, além de ajudar na coagulação do sangue e cicatrização das feridas, é mais seguro ao homem (reduz o risco de contaminação). Outra vantagem é a rusticidade do búfalo – apto a se alimentar diretamente no pasto (custos mais baixos com o manejo).  Além disso, com apenas seis meses de vida, o sangue já pode ser coletado dos búfalos sem prejuízos ao animal.

Atualmente, os pesquisadores do Centro de Estudos da Unesp trabalham com a raça bubalina Murrah, originária da Índia, bastante robusta e de porte médio. Até o momento, já foram investidos mais de R$ 4,5 milhões em experiências feitas por órgãos públicos, como o CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Mas ainda há muito a investir, pois a equipe da Cevap pretende desenvolver pesquisas para o uso do adesivo em aplicações nas células-tronco.

Por Andréa Oliveira.

Fonte: Revista Globo Rural.

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